Capela de Santa Cruz



 

Nome popular: Capela de Santa Cruz 
Identificação Original: Capela da Congregação das Irmãs Dominicanas de Santa Catarina de Sena.

História:

Entre os templos católicos mais antigos de Campinas, a capela de Santa Cruz teve origem na Freguesia de Nossa Senhora da Conceição e foi construída no terceiro dos três campinhos (clareiras na mata) que deram origem ao povoamento local e a cidade de Campinas no século XVIII. Em 1822, a Capela de Santa Cruz foi edificada em taipa de pilão nas proximidades de um Pouso Real e na segunda metade do século XIX, as características arquitetônicas da fachada neoclássica ficaram marcadas no frontão, nas janelas em pleno arco, na platibanda e nas colunas com capitel e base. A igreja deixou de sediar a primeira paróquia da cidade em 1781, porque a atual Basílica do Carmo assumiu esta posição na época. A Capela de Santa Cruz retomou a condição de paróquia em 1870. 
O Largo Santa Cruz, seu pátio fronteiro, ganhou fama por ter sido palco de marcantes episódios ocorridos no século XIX, pois foi o local de passagem onde agrupavam-se ranchos e pousos de tropeiros que ali paravam por alguns dias, a fim de se refazerem, antes de seguir viagem para o sertão de Goiás e Mato Grosso, em busca de pedras preciosas. O edifício conta também com um muro frontal. 
Segundo Edmo Goulart, num período anterior a 1814 já se encontrava presente no Largo de Santa Cruz uma tradicional capela e uma grande cruz, algumas moradias e anos depois, um incipiente comércio. No entanto, data de 1822 a deliberação da Câmara Municipal de abrir uma rua na continuidade do pátio da nova Igreja de Santa Cruz que a Vila de São Carlos pretendia construir nas proximidades do pouso. Seu terreno seria demarcado com quatro estacas e uma cruz (Jolumá Brito, citado pela CSPC), mas caberia aos fiéis erguer o edifício com a finalidade de oferecer missa aos domingos e dias santos. 
A edificação foi recoberta e dotada da santa cruz, mas apenas em 1833, ela foi aprovada pelo Reverendo visitador José Francisco Aranha Barreto de Camargo (Jolumá Brito). As debilidades da construção, entretanto, exigiram atenção e já em 1842, em condições precárias, a capela precisou ser reerguida, refazendo-se os vigamentos e o telhado. Em seguida, o templo recebeu o altar e retábulo, quatro tribunas, duas janelas, coro e escada, além de três portas, quatro janelas e uma cruz (Jolumá Brito, vol. 2). O local também ficou marcado, entre outras coisas, por ter sido o local da forca por volta de 1835.
O templo viveria, ainda, novas alterações em 1854 (Amaral Lapa) e em 1869, ocasião em que a Câmara Municipal também expede autorização para a demolição do rancho tropeiro. De qualquer forma, segundo Jolumá Brito, o templo se revelaria novamente em péssimo estado em 1880, afirmando Leopoldo Amaral no Almanaque de 1901 que a capela se constituía num "templo pequeno cuja história é ignorada". 
A Capela de Santa Cruz reúne elementos da chamada “modernização pombalina” (trazidos ao Brasil por engenheiros militares condicionados pelas obras de reconstrução de Lisboa devido ao terremoto na capital da metrópole em 1855), mesclados “às regras de composição do neoclássico histórico introduzido no Rio de Janeiro pela Missão Francesa” (Carlos Lemos), e que em território paulista enfrentaram resistências.
No século XX, ela sofreu novas alterações para abrigar a partir de 1912 as irmãs dominicanas que ali instalaram o Externato São Domingos destinado ao ensino primário e jardim da infância, além de um pensionato para moças estudantes. No curso de mais cem anos e em regime de semi clausura, as irmãs dominicanas utilizaram a capela em sua rotina diária de orações e trabalhos, assim como procederam à lavagem do tempo na média de duas a três vezes por semana.
Processo de Tombamento Nº 004/98

CSPC / Henrique Anunziata
IAB / Mirza Pellicciotta

Local:
Rua Santa Cruz, 350- Cambuí, Campinas SP

Site/Blog:
www.dominicanadecampinas.com.br
Email:
dominicanacampinas@hotmail.com
Telefone:
(19) 3252-2986
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Patrimônio Histórico