Fundição Lidgerwood



 

Nome popular: Lidgerwood/ Museu da Cidade
Identificação Original: Lidgerwood Manufacturing Company Limited.

História:

A empresa Lidgerwood Manufacturing Company Ltda instalou-se na cidade de Nova York, Estados Unidos da América, em 1801, e no Brasil no ano de 1862, na cidade do Rio de Janeiro, sendo o responsável e encarregado de negócios, William Van Vleck Lidgerwood. A firma veio ao país devido à alta produção de algodão no decorrer dos anos de 1860 e principalmente pelo cultivo da planta por imigrantes norte-americanos especificamente na região de Campinas, na Vila Americana, fato ligado diretamente à Guerra de Secessão que terminara nos EUA em 1865.
O fundador Sr. Lidgerwood aproveita-se do “boom” comercial que ocorria com a chegada da Cia. Paulista de Estradas de Ferro (1868) inaugurando em Campinas o seu primeiro depósito na Rua do Comércio (atual Rua Dr. Quirino, n° 44). Permanece neste endereço até 1872, quando muda sua empresa inúmeras vezes de local. No ano de 1883 a firma doa um coreto à cidade, instalado no Jardim Público (atualmente local do Centro de Convivência Cultural). Foi removido para a Praça Correa de Lemos em frente ao Teatro Municipal Castro Mendes na década de 1970. 
Em 1884 a empresa compra um terreno na Av. Andrade Neves, Largo da Estação, próximo à estrada de ferro. No prédio construído no decorrer de 1885 se instala com os equipamentos industriais para produzir as máquinas agrícolas em 1886. A Cia. Lidgerwood foi inovadora na construção de sua fábrica, utilizando a alvenaria aparente (material construtivo importado da Inglaterra) para enriquecer a superfície de suas paredes com saliências. As telhas e os vidros de cor “lilás” vieram da França. Nas áreas das oficinas as telhas eram de zinco. O madeiramento (pinho-de-riga) veio importado da Europa, servindo como lastro nos navios, e quando descarregado, os porões eram abastecidos com sacas de café. 
O ferro fundido foi utilizado nas grades do porão, nas esquadrias e nas decorativas bandeiras (vãos semicirculares em cima das portas). Para personalizar a edificação, as bandeiras principais tem como enfoque uma águia em relevo sobre o tronco, uma referencia simbólica ao brasão dos EUA, com fundo de ramos de algodão e café, lembrando as duas principais culturas agrícolas que a firma mais dedicava seus maquinários em nosso país. Esta peça é o símbolo da fundição no Brasil.Adotou-se na construção o estilo neogótico vitoriano, tendo características arquitetônicas marcantes os tijolos salientados pelas juntas de argamassa e as portas verticais. O responsável pela obra foi o engenheiro Alemão Heinrich Husemann. 
A Lidgerwood encerrou suas atividades no ano de 1922 quando vendeu o prédio para Pedro Anderson & Cia. Incorporation, que permaneceu no local até 1928 quando a Cia. Paulista de Estradas de Ferro (CPEF) o comprou. A CPEF adaptou as antigas instalações industriais para a sede do Rodoviário da Cia. Paulista (RCP), uma divisão da empresa sobre transporte rodoviário. Com a incorporação da ferrovia pelo Estado de São Paulo para formar a FEPASA- Ferrovias Paulistas S.A em 1971, o imóvel acabou servindo de garagem dos funcionários da estatal, deteriorando-se com a falta de manutenção.
No ano de 1985 devido à implantação de um novo sistema viário correu o risco de demolição sendo impedido pelo manifesto do Grupo de História Regional Febre Amarela, ficando abandonado até 1991. O Museu da Cidade foi criado e ali instalado em 1992 para reunir os acervos de três museus, o Museu do Índio (1967), o Museu Histórico (1969) e o Museu do Folclore (1977), e com o propósito de estimular estudos e discussões sobre a trajetória histórica da cidade por meio de várias atividades.
Processo de Tombamento N° 003/1989 - CONDEPACC

Henrique Anunziata Historiador/CSPC/SMC/PMC

Local:
Avenida Andrade Neves, 33 - Centro, Campinas

Email:
museudacidade@campinas.sp.gov.br
Telefone:
(19) 3231-3387
Categorias
Patrimônio Histórico
Roteiros:
Jornada do Patrimônio - Roteiro Urbano